OLÁ, CHEGUEI...
Este espaço foi por mim destinado a compilar muitos contos escritos vida fora. Dia após dia por esta ou aquela razão fui sempre protelando o ínício da sua actividade. Mas hoje pensei: porque não
aproveitar o dia da mãe para "dar à luz" o meu primeiro apontamento?
E decidi começá-lo da forma mais tradicional......
ERA UMA VEZ UMA VÈLHINHA...
Caminhava eu distraída, rua fora. meditando sobre a razão de ser do Dia da Mãe. De repente, meus olhos poisaram numa veneranda e negra figurinha.
Pequenina, frágil, cabelo alvejando, gasta, de rosto encarquilhado pelos invernos da vida, olhar seguro de si
e as costas encurvadas pelo peso dos anos... E o sorriso? Uma doçura ! Precisavam ver !!...
Seguiamos o mesmo caminho. Simpática como tantas velhinhas, meteu conversa comigo. Talvez tivesse necessidade de alguém que a soubesse ouvir....
Falou-me de três filhos, casados, ausentes. Migrantes deste mundo enorme. Dois deles, não é por mal -dizia - são secos, frios, materialistas.
- Feitios ! sempre assim foram de pequenos, meio despegados....
- O terceiro, coitadinho, pode estar onde estiver
mas, no Natal, no Dia da Mãe e no dia dos meus anos nunca se esquece: um telefonema, um postal, um beijo chegam sempre até mim. Coitadinho do meu menino...tão bonzinho...tão meu amigo..( havia água nos seus olhos!...) Perguntei-lhe com quem vivia:
-Só, desde que enviuvei. Já me habituei, sabe?
Só tenho medo de uma coisa: de um dia darem comigo, esticadinha, sabe-se lá há quanto tempo....e isso
eu não queria. Nunca abandonei ninguém. Não queria morrer só, como um cachorro...
Animei-a, dizendo-lhe que Deus não iria permitir que tal acontecesse.
Chegáramos ao fim da rua. Nossos caminhos divergiram. Não sei quem é esta velhinha. Talvez a não volte a ver. Só sei que é mãe!....
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Segui, meditando neste exemplo, um entre tantos. Pensei agarrar o tema que me caíra assim, do céu aos trambolhões. Pensei nas contradições desta vida. Pensei, em quantos filhos que tendo já perdido a sua
mãe, perderam também, definitivamente, a oportunidade de a homenagear, de lhe provar o seu querer...
Para esses, já só resta um pensamento de saudade, uma oração ou uma flor colocada numa campa fria.
Pensei depois em todos os filhos que ainda têm o maior bem do mundo: a sua Mãe...
Não esperem que ela parta para depois, de lágrimas nos olhos, dizer:
-- Se ela fosse viva !....
Pensem que este pode ser o último Dia da Mãe - vai acontecer a muitos - e deem-lhe a suprema alegria
dum gesto de amor, dum carinho filial, dum beijo, ....dum sorriso...enfim!!!!
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